2006, O FIM DE UMA ERA – DE PROTAGONISTA TEMIDO A COADJUVANTE MENOSPREZADO
- Paulo Marsal
- 7 de mar. de 2016
- 3 min de leitura

Fonte da imagem: www.futebolemfotos.blogspot.com.br
Dunga recentemente anunciou a mais pífia Seleção Brasileira de Futebol dos últimos tempos, deixando de lado preferências e sonhos de consumo, independentemente de quem fosse convocado, o nosso selecionado não é nem sombra do que já foi.
Eu não tenho experiência de vida o suficiente para ter visto as décadas que iniciaram a era de protagonismo do nosso futebol Pentacampeão do mundo, ou seja, não vi Pelé, Garrincha e Rivelino jogarem, e mal vi o espetáculo que maravilhou o mundo, orquestrado por Falcão, Sócrates e Zico.
No entanto, deixando de lado o que fizeram e fazem fora de campo, tive a honra de assistir as gerações que carregaram dignamente este legado, pois pude ver numa mesma Copa do Mundo um ataque, entre titulares e reservas, formado “só” por Bebeto, Romário, Müller, Viola e Ronaldo, posteriormente vi Ronaldo e Romário atuando juntos como titulares, uma seleção que tinha três goleiros inquestionáveis, com Dida, Marcos e Rogério Ceni, um meio-campo formado por Rivaldo, Ronaldinho, Kaká (todos eles “voando”), além de ter visto um dos melhores laterais esquerdo da história do futebol, Roberto Carlos.
Fora da seleção existia outros tantos talentos que encantavam quem os pudesse assistir, a exemplo do hoje apresentador José Ferreira Neto (medalhista olímpico de prata), Ronaldo Giovanelli e Marcelo Pereira Surcin, vulgo Marcelinho Carioca. Aqui, minha predileção “clubística” ficou clara, todavia, todos a temos, e se você parar para pensar, lembrará de mais alguns nomes do meu e/ou do seu time, fácil.
Entre 2002 e 2006, tínhamos a melhor seleção do mundo, fosse por ser, até então, a campeã do mundo (vitoriosa em 2002) ou por ter o melhor elenco. Para se ter ideia, só naquela seleção havia três melhores do mundo (Ronaldo em 96, 97 e 2002, Rivaldo em 99 – convocado pela última vez em 2003 e Ronaldinho 2004 e 2005) e mais um que viria a ser (Kaká, foi o melhor do mundo em 2007).
Até a eliminação para França de Zidane, Henry, Ribéry e cia., nas quartas de final da Copa de 2006, o Brasil além de favorito, era temido, entretanto a partir daquele dia, o futebol brasileiro entrou em queda livre.
Com a famosa reestruturação da seleção, jogadores como Ronaldo e Roberto Carlos, perderam suas posições e nunca mais foram convocados; jogadores como Kaká e Ronaldinho tiveram que “provar” que eram habilitados e confiáveis para voltar a vestir a camisa amarela. Além do evidente desrespeito às conquistas e à história daquela equipe campeã, uma onda de corrupção a cada dia ficou mais clara e evidente.
Seja pelo êxodo dos jogadores cada vez mais jovens à Europa, pela Lei Pelé, pela desorganização, corrupção, jogos de poder, pelo advento das novas tecnologias e/ou das Redes Sociais, ou por tudo isso junto, a essência da nossa paixão nacional se perdeu.
Muito mais preocupados com mídia e dinheiro, os clubes não investem em infraestrutura e, tampouco, nas categorias de base e, quando o fazem, não se preocupam com os fundamentos e, por conseguinte, os atletas vão “crus” ao profissional – quando vão. Por outro lado, os jogadores, jovens ou não, buscam, acima de tudo, a satisfação financeira, muitas vezes em países em que o futebol é de pouca ou nenhuma expressão.
O descaso de alguns atletas com o futebol brasileiro chega a ser tanto, que “optam” por defender outras seleções à brasileira, como o Diego Costa, que na última Copa do Mundo, no Brasil, “preferiu” defender a Espanha, bem menos vitoriosa que o Brasil.
Nossa atual seleção, à exceção de Neymar, tem como principais jogadores, os remanescentes de gerações vitoriosas, entretanto devido à idade são mais suscetíveis às lesões ou ao desgaste físico. Para se ter uma ideia, até a penúltima convocação, nosso goleiro titular jogava na série B, e há agora jogadores que defendem equipes chinesas e/ou clubes poucos expressivos mundialmente.
Eis a última lista de convocados para a Seleção Brasileira que nos defenderá nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Confira a relação e tire suas próprias conclusões: GOLEIROS: Alisson (Internacional), Marcelo Grohe (Grêmio) e Diego Alves (Valencia); ZAGUEIROS: David Luiz (PSG), Miranda (Inter de Milão), Marquinhos (PSG), Gil (Shandong Luneng); LATERAIS: Danilo (Real Madrid), Daniel Alves (Barcelona), Filipe Luis (Atlético de Madrid), Alex Sandro (Juventus); VOLANTES: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City), Renato Augusto (Beijing Guoan); MEIA-ATACANTES: Philippe Coutinho (Liverpool), Oscar (Chelsea), Lucas Lima (Santos), Willian (Chelsea), Kaká (Orlando City), 33 – Contundiu e foi substituído por Roberto Firmino (Liverpool), Douglas Costa (Bayern de Munique); ATACANTES: Neymar (Barcelona), Hulk (Zenit), Ricardo Oliveira, 35 (Santos).
Vale lembrar que o Brasil é o único país que se classificou para todas as Copas e que é o maior campeão com 5 títulos. Agora coadjuvantes e menosprezados pelos rivais, inclusive sul-americanos, não sei se manteremos a tradição, infelizmente.
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